Domingo, 11 de Maio de 2008

O destino de Malon O'Kane, pistoleiro veloz, após puxar o gatilho contra um inimigo e descobrir que seu bom revólver estava, desta vez, descarregado.

Morreu.



Tyler Bazz

Domingo, 4 de Maio de 2008

Um !@#$% do %$#@! mesmo! Que #$@!$.

Sexta-feira, pós-feriado, pré-sabado. Eu ia, como de costume, pro bar, para, como de costume, beber, com, como de costume, o Puto e outros amigos. Enfim, minha vida costumeira, acontecendo emocionaaante como sempre.

Eis que estava eu, no terminal rodoviário urbano aqui de Rio Preto, esperando o ônibus que me levaria ao bar. Andei um pouco, para um lado, para o outro, curtindo o vento frio que é tão raro nessa região do estado Paulista. Vi um banco, totalmente vazio - estranho, afinal são uns oito assentos, com lugares dos dois lados, o que totaliza dezesseis lugares (ah vá?!), sentei-me. Aquela tranquilidade de estar sentado ali, sozinho, sem ninguém incomodando, puxando papo, falando do frio, reclamando, durou pouco. Como de costume.

Um homem de uns trinta e poucos anos, que não tinha a perna esquerda, veio se aproximando. Chegou, sentou, uns quatro lugares entre ele e eu. Logo depois levantou, foi, deu uma voltinha, voltou. Sentou-se dessa vez mais perto, havia apenas um lugar vazio entre nós. Quando ele puxou o ar, um pouco mais forte que uma respiração, já me preparei, porque certamente algo viria...

"Puta que pariu! Tá um cacete isso mesmo, viu."

Eu só olhei. O cara estava muito, muito bravo. Obviamente, entendi tudo o que ele quis dizer - não é difícil saber do que as pessoas estão reclamando enquanto esperam o ônibus. Respirei fundo, puxei a aba do chapéu um pouco para baixo, desviei o olhar.

"É um caralho, é uma buceta!"

"É...", respondi, imaginando que ele falasse talvez de um hermafrodita.

"Essa porra que num vem logo..."

"Verdade...", dei trela. Era claro que ele me contava um causo sexual, possivelmente vivido por ele. Eu estava ávido de interesse, tudo que eu queria era ouvir sobre os problemas que aquele rapaz de muletas tinha para ejacular.

"É tudo uma merda mesmo... uma bosta!"

E então ele estragou tudo! Estava tão lindo, tão amável, tão pornô. Só pornô. Sem essa anomalias anormais e estranhas. Merda? Bosta? Não combina com coisas tão bonitas como "buceta", "porra", e até mesmo "caralho". É tão estranho que nem se sabe o nome disso. É! Quem é estranho porque gosta de crianças comete pedofilia; quem é estranho porque gosta de animais comete zoofilia; quem é estranho porque gosta de defuntos comete necrofilia. Agora, o nome do que comete quem gosta de merda, ninguém sabe!

Eu respirei fundo, já totalmente desiludido, esperando chegar logo ao bar para esquecer de uma vez por todas aquela história nojenta. Ele até tentou continuar:

"Em São Paulo eu pegava logo essa buceta e já tava em meia-hora lá na casa do caralho."

Mas eu nem liguei mais. Fiquei feliz ao ver que meu ônibus chegou, levantei, achei um bom lugar nele. O cara de uma perna só entrou no mesmo ônibus, mas sentou na frente da roleta, no local reservado a ele. Durante a viagem ele começou a contar algo para o motorista, mas era bem menos sexual.

Desci no meu ponto. Certo de que a sabedoria popular está cada vez mais carente de bons contadores de histórias.

Tyler Bazz

Sábado, 26 de Abril de 2008

A culpa é do Capitalismo.

Às seis da manhã o senhor Raúl se levantou; sem despertador, por ele mesmo. Foi até a cozinha, colocou o pó de café – o cheiro tomou o ambiente logo que o pote foi aberto – na cafeteira, colocou a água, ligou. Passou pela sala, chegou ao terraço. Lá fora, numa fria manhã de fim de outono, sentiu o vento bater em sua nuca, fazendo arrepiar os pêlos dos braços. Ouviu, bem ao longe, o canto de um pássaro, que ele não se lembrava qual era; e de olhos fechados respirou fundo, inalando o ar gelado da manhã, que o deixava com um triste, mas gostosa, saudade da infância, no sítio dos pais. Quando abriu os olhos, a realidade: os prédios altos, cinzentos, a cidade acordando lá embaixo. A fumaça já se misturando ao cheiro do concreto, o ar abafado vindo do metrô: o fim do século xx. O senhor Raúl conseguia enganar o olfato, não os olhos.

Acordou as duas filhas, calmo e carinhoso, antes de voltar a seu quarto, onde sua esposa já se levantava. Tomou um banho rápido, bem quente, saiu a vestiu a roupa escolhida dias antes. Do corredor, avisou a mulher, dona Silvana, que ela já podia usar o chuveiro. Enquanto ela tomava o banho, ele se munia dos documentos, relógio, loção pós-barba, tudo. Sentou-se na sala, fazendo um pouco de palavras-cruzadas – não teve vontade de ver o telejornal da manhã – até que as filhas e a esposa, quase ao mesmo tempo, deixaram seus quartos para o café da manhã.

Dona Silvana, uma mulher de uns quarenta anos – e o marido devia ser dois ou três anos mais velho – preparou uma bela refeição, uma bela mesa: sucos, pães, queijos, harmonia e sabor, parecia um comercial de margarina. Nascida e crescida naquela cidade, a viagem que iria fazer era um dos cada vez mais raros momentos com a família, os quais ela adorava. Mãe e esposa dedicada; não era nenhuma intelectual, mas estava longe de ser burra. Tirando o café, que o senhor Raúl fazia questão de preparar (ou de ligar a cafeteira) todos os dias, e as passagens, que ele fez questão de comprar, foi ela quem arrumou tudo para que o passeio acontecesse.

Na mesa da cozinha, a filha caçula deu um beijo no pai antes de sentar. Aninha, com seus 14 anos, ainda gostava de viagens com a família, embora tivesse sido convencê-la a passar um sábado sem os amigos no shopping, depois do cursinho de inglês. Ela ia por gosto, de sorriso no rosto. Mais do que ficar com os pais, Aninha queria ficar o dia todo ao lado da irmã mais velha, que ela idolatrava. A garotinha via na irmã uma menina inteligente, linda, original, independente; e nem ligava muito de viver sendo chamada de burra pela irmã, e vê-la vangloriando-se de qualquer pequeno avanço intelectual conseguido por Aninha. “Aprendeu com a irmãzona aqui”, ela dizia. Tomaram o café, com poucas conversas de café, pegaram cada um suas coisas, e saíram.

No carro, indo para a estação, o senhor Raúl sorria, feliz, mesmo tendo a cara fechada da filha mais velha no retrovisor. Os cabelos pretos, lisos, com mechas vermelhas, caíam até os ombros, passando por um rosto bonito e quase todo escondido por óculos escuros – “óculos grandes fazem você parecer rico” –, blusa preta para proteger do frio, calças jeans, botas de couro; o único brilho vinha de um par de brincos prateados, duas argolas enormes. Maria – nome escolhido pelo pai e que ela, surpreendentemente, gostava muito – queria estar em qualquer outro lugar, menos ali. Uma típica garota de 17 anos, um pouco menos típica que o normal. Lia muito, se interessava por arte, história, filosofia, essas coisas. Adorava a idéia daquela viagem: de trem, fotografando paisagens, conhecendo cidades importantes para a História do país, visitando museus, ...

Quando Maria passava um pouco do seu perfume doce, eles chegavam à estação, estranhamente vazia. A família desceu do carro e pegou as coisas – cada um levava apenas bagagem de mão. Todos esperavam na plataforma, com quinze minutos de antecedência, o trem das 8 da manhã. Aninha ficava sentada ao lado da mãe, quase dormindo. Dona Silvana fazia as palavras-cruzadas do marido, que andava de um lado para o outro, cheio daquela ansiedade gostosa que nos toma sempre que vamos realizar algo que desejamos muito. Maria sentou, leu um pouco (García Marquez), levantou, foi até a máquina e tirou uma latinha de Coca; quis fumar, mas achou melhor não.

O relógio da estação marcava oito e quinze quando o senhor Raúl tirou o casaco: já começava a transpirar, de tanta andança pela plataforma. Aninha dormia como um anjo; a mãe já tinha largado a caneta e fazia carinho na filha. Maria, um pouco longe, olhava um mapa numa parede, vendo por onde passariam e ficariam. Nos trilhos, umas pombas descansavam tranqüilas, sem o menor sinal de vibração na linha férrea. O sol aparecia tímido, a brisa continuava fria. O trem não chegava, mas era um atraso normal. A cena continuou, sem mudar muito. Uma impaciência aqui, uma ansiedade ali... Maria já tinha descido da plataforma, cruzado os trilhos, e brincava com umas flores, sob o olhar do pai.

Já passava das oito e meia quando o senhor Raúl foi ao guichê de venda de passagens, buscando alguma informação. Dona Silvana, que observava de longe, soube que algo estava errado logo que viu a reação do marido. Ele respirou fundo, tirou a carteira do bolso, secou a testa, suspirou, argumentou, guardou a carteira, voltou.

“Vamos pra casa”, ele anunciou ao aproximar-se da família.

“O quê?!”, Maria berrou, já bufando como um touro.

“Cancelaram o trem turístico porque venderam poucas passagens. Peguei o dinheiro de volta. Vamos, nós marcamos a viagem para outro dia. Capitalismo, né gente.”

Maria gostou da notícia: dormiria o dia todo, bar à noite com os amigos. Dona Silvana e Aninha pegaram as coisas e foram para o carro.

No mesmo dia o senhor Raúl levou a família para comer fora. Já fazia um bom tempo que eles não tinham o almoço de domingo num restaurante tão bom. Comeram, satisfizeram-se. A conta veio e o senhor Raúl pagou com uma cara não muito boa. Pagou em dinheiro, ficou com a carteira vazia. Dentro dela sobraram apenas as passagens para o trem turístico, que os levaria para a tão planejada viagem, e que saiu, quase lotado, no sábado, um dia antes.


Tyler Bazz

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Minorias.

Entrei naqule vagão do metrô achando que conseguiria facilmente. Mochila nas costas, câmera em punho, idéia na cabeça. Aquele concurso de fotografia, se não estava no papo, estava quase lá. Prêmio em dinheiro; muito, muito interessante.

Era simples: tirar uma foto, dentro de um vagão de metrô, e nessa fotografia apareceriam, fácil, vários representantes de minorias da sociedade. Todos ali, enclausurados, presos na mesma gaiola, por pelo menos uns segundos. Entre uma estação e outra, as diferenças não chegam a se aceitar, mas elas se suportam, pelo menos.

Olhei pelo vagão e meus olhos brilharam. Uns pretos, uma mulher masculina, um nordestino e um travesti. Quando ia bater a foto, senti falta de algo faltando. Não, nenhum deficiente por ali. Esperei a próxima estação; nela, um homem que não tinha uns três dedos da mão direita embarcou, mas meu travesti se foi e nenhum outro veio para seu lugar. Na estação seguinte, decidido, corri e troquei de vagão.

Nada de novo. Como podia, naquele horário, um vagão sem nenhum afro-descendente dentro? Não desisti. Mais uma estação, troquei de vagão: faltava um veado. Outra: nada de mulheres inseridas no mercado de trabalho!

Fui mudando de vagão a cada parada do trem. Minha sorte pareceu melhorar: uma estação antes da invasão nipônica que ocorreria na Liberdade, vislumbrei com um sorriso a cena perfeita. Naquele simples vagão de metrô, numa rápida olhada, pude ver duas executivas - mas uma parecia ser secretária, isso sim -, um travesti, uma bichinha, um gay não-caracterizado (como dizia um conhecido meu) - não me perguntem como descobri sua sexualidade-, um corcunda, um anão com o cabelo descolorido, um banguela sorridente, dois casais de velhos, um alejado, um deficiente físico e um portador de necessidades especiais, um ceguinho, um nerd, um padeiro, três pretos, quatro bolivianos, nove asiáticos, e, por fim, doze negros. Tenho certeza que havia ali também um poliglota, mas não posso provar.

Ergui a câmera, triunfante, pronto para bater a foto premiada, aquela que me garantiria o primeiro lugar, o dinheiro, os quinze minutos de fama. Foi quando senti o silêncio do vagão, e na mesma hora perdi as esperanças. Nenhum, nenhunzinho bêbado, cantando em alto e bom som e incomodando todos os outros passageiros. Uma foto daquelas, com aqueles personagens, mas sem um bebum, nunca convenceria. A impressão seria de uma foto forjada, cheia de atores, modelos-manequins-de-figuração. Faltava naturalidade.

Desembarquei na estação seguinte, desolado. Saí da estação e nem me importei em fugir da garoa paulistana. Naquele momento, eu, branco, jovem, classe média, assalariado, católico, esportista e estudante, tinha uma certeza: sou minoria.


Tyler Bazz

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

poeminho bonito.

(bem me quer! bem me quer!)
bem me quer. mal me quer.
bem me quer, mal me quer...
bem me quer, mal me quer bem me quer
mal - me - quer .
mas bem te quero.


Tyler Bazz

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Bárbara respondendo Meme.

Oi genteee!!! \o/

O Rob Gordon mandou que o Champ indicasse o Tyler pra responder esse meme, que é uma série de perguntas que tinham que ser respondidas por ele, e claro, assim como o Rob, o Tyler também repassou a tarefa: pra mim claro. Se bem que o meme salvou a semana por aqui, já que faz tempo que o inútil do meu chefe não escreve nada decente/postável, né.. Bom, lá vai:

1 - Por que resolveu criar um blog?
Ele diz por aí que é pra poder publicar e divulgar os textos que ele escreve. Mas o que EU digo - e vocês sabem que eu tenho muito mais credibilidade que ele - é que o Tyler criou este blog única e exclusivamente com o intuito de aparecer.

2 - O que te dá mais prazer em blogar?
O Tyler gosta muito dos comentários, que eu sei. Um dia ele tava me falando que é a coisa mais legal do blog, isso de ter uma resposta bem imediata às coisas que ele escreve. Eu, pessoalmente, (e acho que ele também), gosto muito de poder conhecer outros blogs: uns ruins, outros muito bons.

3 - Indique um blog bom e um blog que você não gosta e porque!
Eu gritei aqui da minha sala quais blogs indicar nessa resposta, o diálogo foi o seguinte:

Bábara: Tyler... (silêncio)... TYLER!!
Tyler: Hã?? Que foi???
B: Indica um blog bom e um que você não gosta...
T: Sério?
B: Vai logo, porra!
T: Vale indicar o Champ?
B: Não! Aquele blog é muito egocêntrico. E o Rob já te indicou pra responder o meme, vai ficar muito panelinha isso aqui!
T: Então é o Acepipes! Duh.
B: O Rob indicou ele também, lembra da panelinha?!
T: Tô nem aí. Quando o Bruno parar de escrever coisas que eu fico morrendo de raiva por eu não ter escrito, eu indico outro.
B: Ok. E qual você não gosta.
T: Blog Aleatório.
B: Porque ele praticamente não existe mais, é isso?
T: Isso. Porque o filhodaputa escreve pra caralho mas esqueceu que ter blog é legal.

Pronto, respondido.

4 - Qual seu tipo de música e quais suas bandas favoritas?
Ele gosta de Rock n' Roll e quase tudo que isso engloba. Bob Dylan é deus; o Tyler me ensinou isso e eu aprendi e concordo. Ele também vive dizendo que a melhor banda que já existiu foi o Led Zeppelin e, pelo que eu já vi, ele está certo também. Eu gosto muito de Blind Melon, acho uma gracinha.

5 - Qual assunto você mais gosta de postar?
Eu sei que ele não tem preferência. Até porque ele só escreve, quem posta sou eu. Eu também não tenho preferência, mas gosto bastante de postar a Marcela, porque ela faz sucesso. Eu sei que ele não gosta de falar dele mesmo no blog, mas eu faço isso por ele :D, e ele reclama, mas gosta sim que eu sei...

6 – Seaquinevasseceusavaesqui?
Tylerqueridomedáumaumentochefinholindo.

7 - Você é : casado, solteiro, separado, enrolado, disquitado, chutado, viuvo ou outros?
Outros. Eu, ele, vocês. Tudo outros.

8 - Por que você deu este nome ao seu blog?
O Tyler me disse uma vez que precisava de algo profundo, que fosse leve e ao mesmo tempo atingisse todos os leitores. Precisava de um nome forte, verdadeiro, que pudesse fazer as pessoas pensarem no que elas são, no que elas lêem, no que elas sentem. Acho que ele não conseguiu o tal nome e foi pelo óbvio. (e continuo dizendo que devia chamar "blog do Tyler E da Bárbara". Ou melhor: "blog da BÁ e do Tyler".)

9 - Qual foi o último blog que você visitou?
Alguém acham mesmo que dá pra eu ficar visitando blogs? Eu tenho esse serviço aqui como secretária do Tyler, que eu faço mais por prazer do que por dinheiro, já que o que ele me paga é ridículo. Já que eu preciso me sustentar, precisei arrumar outro emprego, que não vou dizer quando nem onde nem o que faço. (e antes que vocês pensem: não! não sou puta.) O máximo que eu consigo fazer aqui é abrir o orkut (dele). E visitar o Google.

10 - Porque resolveu participar deste meme?
Não resolvi, fui obrigada. Mundo capitalista. O Tyler também não resolveu nada, já que ele repassou sem nem saber direito do que se tratava.


Indicados para responder: EU quero indicar a Coluna Fantasma e o Quase (nada) Secreto. Não vou deixar o Tyler indicar ninguém. E se alguém mais quiser responder, fique à vontade.

Beijinhos, gente..
Bá :)

Domingo, 30 de Março de 2008

Papinho de escritório.

- Bom dia.

- ...

- Bom dia!

- ...

- Dormiu comigo?

- Eu? Não... com a sua filha.

- Não tenho filha.

- Ah.. então foi com a sua mulher.

- Pff.. eu dormi com a minha mulher.

- Tem certeza?

- ..., ..., tenho.

- Mas você chegou tarde né. Fez hora extra...

- A cama tava fria quando eu deitei.

- Olhou dentro do armário?

- Guardei a roupa lá. Limpo.

- Na cozinha?

- Primeiro lugar que fui quando cheguei. Limpa.

- Embaixo da cama?

- Joguei o sapato lá. Limpo.

- Banheiro?!

- Mijei e escovei os dentes. Limpo.

- Dentro do box?

- ...

Chegou em casa e matou a esposa.


Tyler Bazz

Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Companhia

Aqui no canto da sala onde fica o pc, aqui onde passo tantas horas. Trabalho, estudo, diversão. Tv ao lado, pc na frente. Nunca sozinho, nunca. Desde que aqui me instalei, sempre recebi visitas noturnas: sobre a mesa, bichos que gostam de luz, de calor; bichos grandes e nojentos que deixam marcas nas paredes quando esmagados. Embaixo da mesa, bichos que gostam do escuro, de sangue; bichos menores, que me fazem inchar as pernas - alergia, alergia - que deixam nas paredes, ou nas pernas, braços e mãos, manchas vermelhas quando os ataco; e que, quando vêm para cima da mesa, são atacados pelo bichos maiores que aqui vivem, que por sua vez são sempre atacados pelas lagartixas, que devem ser atacadas por alguém, mas eu nunca vi. Tirando aquela vez que matei uma.

E foi sempre assim. Vai anoitecendo e eles vão chegando, já fazendo parte da minha noite, da minha rotina. Os bichos nojentos, os pequenos sanguinários, as lagartixas, até os que caem dentro dos meus copos. Já são parte do cenário. Tanto que cheguei a pensar que, se um dia eles deixassem de existir, ou se eu me mudasse daqui, sentiria falta deles, e das manchas nojentas e vermelhas nas paredes e pernas e braços e mãos.

Semana passada choveu, e eu subi, e passei aqui a noite toda, e não vi nenhum bicho sequer. Só quando olhei pela janela e vi um gato no quintal de uma casa aqui perto, mas não conta. Lembrei de quando achei que sentiria falta de todos aqueles animais que comigo habitam aqui e, de verdade: não senti nem um pinguinho de saudades, de ninguém.


Tyler Bazz

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Marcela - Natal.

Fim de ano, a mãe da Marcela viajou e ela ficou sozinha do fim de dezembro ao fim de janeiro. Obviamente, convidei a menina para passar o Natal aqui em casa. É sempre igual: a família se reúne, rola aquele jantar farto à meia-noite, troca de presentes, gente ficando bêbada e falando mal dos outros... igual acontece em qualquer outro lugar. Mas esse ano tudo seria diferente - pelo menos pra mim -, a Marcela estaria lá e a noite seria mais feliz.

O único problema (que só se revelou como tal na noite do dia 24) é que lá em casa a gente costumava dizer que fazia uma "festa de Natal" na véspera. Bom, no dia 22 mais ou menos eu estava na casa da Marcela, vendo filme, e chamei ela pra festa de Natal lá de casa...

Véspera de Natal, umas dez e meia da noite, a campainha toca. "Deve ser a Marcela", falei e levantei para abrir a porta. Eu sabia que era, ela tinha me avisado que estava indo. Quando abri a porta, me arrependi nem sei do quê. A cena que vi foi algo assim: botas vermelhas que iam até acima dos joelhos da Marcela; uma mini-saia também vermelha, de couro; a blusinha, da mesma cor, mostrava toda aquela barriguinha linda e tinha o maior decote da história dos natais; na cabeça, um amável gorrinho de papai noel. Minha avó ria feito louca da situação, minha mãe e minhas tias quase tiveram um - vários - infartes. Tudo que eu consegui fazer foi empurrar a Marcela pra dentro do elevador, rindo muito.

"Meeeu, você é louca??" Ela percebeu e também caiu na risada. "Eu sei que você gosta de chocar, mas pô, minha vó tá aí né..."

"Ah, você falou festa! Achei que era algo mais... adolescente, sabe?"

Ficamos rindo ainda um tempo dentro do elevador. Fomos para o apartamento da Marcela, onde ela trocou de roupa enquanto a gente matava um vinho. Depois voltamos pra minha casa. Ninguém ousou tocar no assunto a noite toda, mas nunca, nunca mesmo, eu vi meus primos e tios darem tanta atenção a alguém que passou o Natal com a gente.


Tyler Bazz

Terça-feira, 18 de Março de 2008

Indicações, Meme, Feriado

Avalanche de indicações vindas lá do Championship Vinyl, do Rob Gordon. O Champ é o blog mais legal que eu conheço, e eu fico muito, muito feliz mesmo em receber esses prêmios. Valeu Rob, valeu vocês que lêem, e valeu vocês que comentam aqui.

Os prêmios são: Este Blog Faz a Diferença; É um Blog Muito Bom, Sim Senhora! Awards Blogs Favoritos de 2007; Diz que até não é um Mau Blog; Blog cabeça; Este Blog Vale a Pena Conferir; e My blog has total force. Os selos estão ali do lado, e os indicados que peguem ali, porque eu tenho preguiça de postar aqui.

Falando em indicados, são: Acepipes Escritos, Coluna Fantasma, Haute Intimitè, e Diga o Que Quiser. O Gilgomex estaria indicado também se estivesse postando. :D

***

E o Meme, que eu recebi do "Sr. Sem Sono", diz pra eu pegar o livro mais próximo, abrir na página 161 e postar a 5ª frase. Ainda bem que eu tirei o "Como enriquecer facilmente" aqui do lado do pc, quem está aqui é "O Poderoso Chefão", que eu recomendo muito para qualquer um. E a frase é:

"Freddie ainda se encontrava sob o efeito de sedativos em seu próprio quarto na casa dos pais."

Os indicados para responder são: A for Anetta, Frenesi e Haltsie.

***

E chega! Aqui em Rio Preto, amanhã, quarta, dia 19, já é feriado!!! Então pode ser que a distância entre os posts seja menor esses dias. Ou não. :)
Tchau.

Tyler Bazz

Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Confirmação.

O trem do metrô parou na estação, quase vazia naquele início de noite dominical chuvosa em São Paulo, fevereiro é assim. No último vagão entrou apenas uma pessoa, provocando reações comuns nos passageiros: uma senhora mandou que o neto, ou filho, parasse de brincar pelo vagão e sentasse perto dela; dois garotos que conversavam diminuíram o volume da voz; um casal combinou entre olhares que desceria na próxima estação para esperar um próximo trem; e uma moça de cabelos claros, sentada sozinha, rapidamente segurou a bolsa junto ao corpo, torcendo para que o homem sentasse longe. Ele sentou, não estava perto de ninguém. Vestia uma calça jeans bem velha, assim como os tênis, uma blusa de moletom preta, desbotada, e uma touca cinza de lã na cabeça. Era preto.

Preto, negro, moreno, mulato, negão, afro-descendente. Chamem do que quiserem: do que acharem melhor: do que pensarem ser menos ofensivo: do que expressar mais claramente sua total falta de preconceitos. Podem chamá-lo até de Gérson, mas não é esse o nome dele.

Enfim, o trem continuou o caminho por baixo da terra, normalmente. Na estação seguinte o casal desceu, como previsto. Duas estações adiante entrou um homem, com sua filhinha, provavelmente, que logo se juntou ao corre-corre do menino que já estava ali, deixando louco seu provável pai. E numa estação já depois do fim da Avenida Paulista, a mulher loira desceu, sem perceber que o homem preto fez o mesmo.

Chegando ao fim da escada rolante que leva à superfície, a moça viu que chovia lá fora. Pegou a bolsa e tirou dela o guarda-chuva, abriu-o ainda debaixo da cobertura da entrada da estação do metrô. Mal a mulher colocou o pé esquerdo na calçada, o preto correu por trás dela, puxou rapidamente a bolsa e fugiu, deixando-a desesperada.

Eu sei, e inclusive concordo com você quando me diz que "não é porque é negro que é bandido." Mas esse era.


Tyler Bazz

Sábado, 1 de Março de 2008

Andorinha.

"Uma andorinha só não faz verão", ela me disse uma vez, com aquele sotaque castelhano, quando gastávamos tempo sentados na sacada olhando o céu e falando metaforicamente de psicodelia. Naquele dia ela falou e eu não entendi nada. Deixei passar, como qualquer coisa que não entendíamos.

Hoje, meses, ou anos, depois, que paramos de ficar na sacada, que ela amarelou com um sorriso minhas visitas, que não atendeu minhas ligações, ignorou minhas cartas e cartões postais, e fingiu que não me conhecia quando voltei e passei por ela, eu entendi. Ou pelo menos tive uma dica do que era tudo aquilo.

Acho que sou andorinha; e ela quer é verão.


Tyler Bazz

Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

O menino do pinheiro.

O menino era filho único e cresceu num bonito apartamento, do segundo andar, de janela com vista para a rua. Na frente do prédio havia um terreno vazio, baldio, que vivia cheio de mato na época das chuvas, cheio de entulho em boa parte do ano.

No fundo daquele terreno tinha um pinheiro, bem grande, que o menino conhecia desde bem pequeno (o menino). De dentro do quarto, ele sempre olhou o pinheiro. Teve medo dele nas noites chuvosas quando era pouco maior que um bebê; perdeu horas olhando seu balançar no vento, anos mais tarde; escreveu até uma poesia que a professora pediu, em homenagem ao pinheiro, quanto tinha uns dez anos. O menino nunca se aproximou do pinheiro, nunca o tocou, mas gostava daquela árvore. Como gostava!

Tinha doze anos o menino quando acordou, numa manhã de segunda, e viu um daqueles tratores que derrubam tudo parado na frente do terreno, rodeado por um bando de homens que pareciam pedreiros, serventes, engenheiro. Os olhos do menino encheram-se de lágrimas; de cara percebeu que ali seria construído algo, provavelmente um prédio como o dele, e seu pinheiro seria derrubado. O menino se vestiu com pressa, passou correndo pela mãe, na sala, sem falar com ela, desceu as escadas para não esperar o elevador e chegou ao terreno baldio, agora cheio de coisas.

Tentou segurar o choro na frente de todos aqueles homens, mas ao perguntar o que é que iriam fazer ali, junto com a primeira palavra pronunciada, as lágrimas fugiram-lhe do controle e ganharam seu rosto. Um dos homens respondeu que seria mesmo um prédio, de quinze andares, maior até que o do menino, que entrou em choque, em desespero, ao imaginar seu pinheiro no chão, morto.

Quando conseguiu, envergonhado, mas muito mais emocionado, explicar a todos aqueles homens o motivo de tanto choro, o engenheiro se aproximou do menino, com a planta do prédio nas mãos. O pinheiro não seria tocado. Estava lá, no projeto. Iam construir até um jardim bem bonito em volta dele. O menino não poderia mais vê-lo da janela de seu quarto, mas morrer o pinheiro não ia.

O menino voltou para casa, tranquilizado, pensando muito. Passou a tarde toda na janela, olhando o pinheiro. Logo um prédio taparia sua visão. Logo pessoas morariam naquele prédio. E ele ia se enfiar por lá. Fosse ficando amigo de um menino de de sua idade, ou cuidando de uma velhinha solitária, ele ia arranjar uma janela pra olhar o pinheiro. Ah, se ia...


Tyler Bazz

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Marcela - A Conta.

Fomos num bar uma vez. Marcela, eu, e mais uma galerinha. Lugar legal, noite boa, muita bebida, muita conversa, muita risada. A banda que estava tocando também era ótima, tudo ia bem.

Na hora de pagar a conta, problema. Feita a vaquinha, faltava ainda uma boa parte da grana - noite legal demais dá nisso, a gente bebe sem perceber.

Fazer o quê? Eu me encostei no balcão e fiquei só assistindo. Um dos caras ligou pra mãe, tentando fazer ela ir até o bar levar dinheiro pra ele. Uma das meninas foi procurar a irmã mais velha, que também estava lá no bar (se agarrando com outra menina), duvido que conseguisse alguma coisa. E quando meus olhos passaram pela Marcela, consegui ler seus lábios dizendo algo tipo "posso falar com o gerente?" - Foi o suficiente pra que eu olhasse a Marcela.

O tal gerente veio, a menina do caixa ia começar a contar o que acontecia quando a Marcela interrompeu, com o maior sorriso do mundo, e explicou toda a situação. A cara de poucos amigos do gerente foi se desfazendo a cada palavra sorridente da Marcela, que dizia ter esquecido a bolsa em casa, e a parte que estava faltando na conta era dela - fazendo as contas, se ela tivesse bebido tudo o que estava faltando naquela conta, ela passaria por uns dois comas alcoólicos na mesma noite.

O cara parecia estar realmente acreditando. Ou fingindo muito bem. Em menos de cinco minutos de conversa, as mãos dele já tentavam tocar a Marcela vez ou outra; ela já não sorria, só ria; e dos dois eu pude ouvir que "a gente pode resolver isso de outro jeito..."

Foi quando apareceu o Júnior, gritando para que o bar inteiro soubesse: "Arranjei a grana! Consegui!" - O sorriso do gerente se desfez, enquanto a Marcela fechava a cara e ia para o caixa, resolver logo aquela conta. Fomos embora.

Na volta, depois da carona, quando descemos do carro, perguntei pra Marcela: "Você ia mesmo dar praquele cara... só por causa da conta?"

Ela riu, só riu, não me respondeu.


Tyler Bazz

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Hora errada, lugar errado.

"Por essa janela... vejo o cume das montanhas mais altas. Salpicadas de neve, tornando-se cada vez mais verdes e marrons conforme diminui a altitude. A neblina me atrapalha um pouco a visão, mas ainda assim percebo, no alto de um morro, uma cabana de madeira, iluminada por um lampião, onde provavelmente um caçador se aquece e descansa de um dia de caça. O cachorro guarda a casa por fora, mas logo começará a arranhar a porta para que seu dono deixe-o entrar. O silêncio impera, embora vez ou outra seja possível ouvir alguma ave noturna, ou outro animal, caçando ou sendo caçado. Sinto cheiro de mato, de terra, de barro, respiro fundo e procuro me entorpercer -"

"Ô, poeta! 'Cê tá na cadeia. O cheiro é de merda. Daí da gradinha só dá pra ver o muro. Então cala essa boca que eu quero dormir!"


Tyler Bazz

*****

Recebi algumas outras indicações. Agradeço muito por todas elas. De verdade, ser reconhecido por essas pessoas é ótimo! Logo atualizo ali do lado os prêmios e tudo mais. :)

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Turn 21

Não é um post sobre o disco das The Donnas. É sobre alguém muito mais interessante, muito mesmo mim.

Hoje, dia 10, faço 21 anos e, como sempre, nada muda. Papo manjado, mas é verdade. Eu fiz 18 anos uma vez, e então eu podia tirar carteira de motorista, ser preso, e não precisava mais de documentos falsos. Uau. Eu nunca tive um rg falso, nunca fui preso, e até agora, com 21, mal sei ligar um carro.

Os 21 estão aí e eu vou continuar bebendo cervejas, fazendo inimigos, amando minha namorada, irritando meus amigos, e evitando as pessoas. Querem me dar um presente? Duas dicas: 1 - show; 2 - Bob Dylan.

E olhem só a fofura que é minha secretária! Acabou de chegar aqui uma mensagem dela: "pagamento atrasado 5 dias. nao lembro que é seu aniversario. nao lembro nem que vc existe. bá"

Mereço?


Tyler Bazz

Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

O Natal dos Ribeiro.

Era 24 de dezembro, dez minutos para a meia-noite. Natal na casa de campo dos Ribeiro. Todos os anos a família se reunia no sítio, que ficava a pelo menos vinte quilometros da cidade mais próxima. Dez minutos para a meia-noite; a mesa já posta, a família toda já reunida na sala de jantar, a paz, a harmonia, a leve embriaguez e a falsidade. Foi quando o Natal daquele ano fez-se diferente de todos os outros.

Faltavam dez minutos para a meia-noite quando a casa foi invadida. Um homem de uns vinte e cinco anos, com uma calça jeans surrada, uma camiseta preta e um boné velho na cabeça, invadiu a casa, armado, gritando para que todos ficassem quietos e calmos, e então tudo ficaria bem. Sem abaixar a arma em momento algum, ele recolheu os celulares de todos ali, cortou o fio do telefone e trancou todas as portas que saíam do cômodo. Quando terminou, observado pelos olhares aterrorizados da família Ribeiro, anunciou: "Eu quero que 'cês faz tudo normal. Que nem se eu num tivesse aqui. Ou que nem se eu fosse da família." Obviamente, ninguém se mexeu e ele teve gritar para que começassem a ceia.

O bandido se misturou à família, sempre com a arma em uma das mãos e o olhar vivo, esperto, correndo por todos os cantos e rostos da sala. Poucos minutos antes da zero hora, a família se reuniu em volta da mesa, cheia de comida, e rezou. Ele participou como se fosse um deles, de mãos dadas, tendo à sua esquerda a Tia Lúcia, conhecida na família por ser uma louca desvairada que pensava ter vinte anos, e à sua direita, dividindo a mão com a arma, Verinha, de onze anos, a filha do meio de um dos filhos do casal Ribeiro. Depois do amém, a família já se sentia menos tensa com a presença do marginal. Não estavam tranqüilos, mas boa parte deles tinha parado de tremer e pensava só em conseguir manter a paz no Natal.

Sentaram-se todos para comer. Não havia lugar na mesa para o bandido, mas isso foi logo resolvido. O filho mais velho abriu mão de seu lugar, ao lado direito do senhor Ribeiro, para que o visitante não precisasse ficar no sofá. Todos comeram, saciaram-se, e o bandido, sem largar a arma, comeu umas três vezes mais que qualquer um ali. Até mesmo Luís, o neto de vinte anos da senhora Ribeiro, lembrado por seu estômago sem fundo, ficou espantado com o apetite daquele homem. Quando engoliu o último pedaço de peru e bebeu o último gole de champanhe, o bandido olhou pela sala. Todos meio parados, uns conversando baixinho, as mães impedindo as crianças de correr. Ele se aproximou do senhor Ribeiro e perguntou, cochichando: "o que 'cês faz depois de comê?" O patriarca respondeu, um pouco nervoso por aquele contato direto: "bem, nós entregamos os presentes."

"Hora dos presente!", o bandido gritou, deixando as crianças animadas. "E eu nem vô ficá bravo se num tivé um pra mim." Todos trocaram os presentes, fingiram surpresa, fingiram agrado. A família fazia o que podia, mas era impossível ignorar a presença de um homem estranho com um 38 nas mãos. Apesar de tudo, as coisas aconteceram como tinham que acontecer, sem nenhum incidente. As crianças brincavam com seus presentes, os adultos invejavam os dos outros. Então o bandido levantou-se, indo em direção à porta de saída, a mesma que ele usou para entrar, "Bom gente, eu vô indo embora. Valeu pela comida aí."

A família toda estranhou aquilo. Todos se entreolharam, a mesma pergunta pairava em todos os rostos. O filho mais velho, aquele que cedeu o lugar na mesa, esboçou um sorriso, percebido por alguns. E o filho mais novo, famoso por sempre pensar mais nos outros do que nele mesmo, fez a tal pergunta ao bandido: "Mas, como assim? Você não vai roubar a gente nem nada?"

"Não, num vô não", ele respondeu. "Sabe, eu tô preso faz seis ano. Desde que eu tinha dezenove. Minha mãe morreu quando eu tinha dez ano, meu pai eu nem conheci. Ele fugiu cuma neguinha da favela quando minha mãe falô que tava grávida. Eu num sei nem se eu tive um Natal de verdade alguma vez. Eu só queria isso. Ainda bem qu'eu achei voceis."

"Mas, se você tivesse falado, a gente abria as portas pra você. Te dava um Natal de verdade. E até melhor, sem essa coisa de arma...", a senhora Ribeiro tinha lágrimas nos olhos.

"É só assim que eu sei fazê as coisa, dona." Jefferson respondeu e saiu, deixando todos na sala com um forte ar de tristeza no rosto. Até mesmo o filho mais velho do senhor Ribeiro perdeu o sorriso e baixou a cabeça, em parte envergonhado, em parte deprimido.

Nem dez segundos se passaram quando Jefferson abriu a porta novamente, transformando a tristeza no olhar da família em surpresa. "Aê, seu Ribeiro. Sabe aquele relógio bonito que o senhor ganhô? Aquele dorado... passa pra cá vai. Só pra num perdê a prática. Feliz Natal aê galera." E foi embora.


Tyler Bazz
(to ali em Sampa, chego no sábado de manhã. qualquer coisa me achem no orkut)

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Editorial.






Enquanto o "blog do Tyler" não me deixa rico e famoso no mundo todo, (o que provavelmente nunca vai acontecer), ele me garante algumas alegrias e honras:

O Rob Gordon, do "Championship Vinyl", e o Gilgomex, da "Coluna do Lorida", indicaram o blog aqui para três prêmios. O "Blog Cabeça", o "É um blog muito bom sim senhora!" e o "Este blog vale a pena conferir". Os dois blogs são bons pra caramba, mesmo! E eu fico bem feliz em saber que tem gente que gosta do blogzinho aqui...

Agora eu indico outros cinco blogs a estes mesmos prêmios. (sim, vai o
pacote com três). Os dois citados ali em cima já estão mais que indicados, então não entram nos cinco aqui, que são:

- A Prateleira
- Quase (nada) Secreto
- Acepipes Escritos
- Frenesi
- Depósito de Idéias

Todos merecem os prêmios e todos merecem suas visitas. Desde a Prateleira, que faz a gente entrar lá várias vezes ao dia pra ver se tem coisa nova (e vendo um layout novo em cada uma dessas vezes), até o Depósito de Ideías, que é bem novo, mas cheio de gente boa, escrevendo bem, sobre um monte de coisa.

E acho que é isso. "Pôr ordem" em blog dá muito trabalho. Já estou me arrependendo de ter dado os quinze dias de férias que dei pra Bárbara (ela foi pra praia, e só chove! chupa, Bá!).

E tchau.

(vou pra Sampa! Estou lá de sexta (ou sábado) até terça, eu acho...)

Tyler Bazz

****

Mais!!!

Acabei de descobrir que também recebi dois prêmios lá do Fábrica de Bobagem:


Os indicados são os mesmos lá de cima, inclusive o Championship Vinyl e a Coluna do Lorida.

*****

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

poeminho 05

Conheceu a Márcia, em março
Comprou uma casa, casou
Depois de casar, um caso
Foi pegar puta, sem um puto
Depois da luta, o luto
Levou de um tira, um tiro
Vais fazer falta, Fausto.


Tyler Bazz

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

Marcela - Gorda?

Uma vez eu estava lá, deitado na cama da Marcela, vendo tv, enquanto ela enlouquecia tentando escolher uma roupa. A gente ia sair; cinema, depois bar, algo assim. Enfim, ela me aparece com uma calça que, segundo ela, estava jogada no fundo do guarda-roupa há anos. "Ficou boa?"

"Hmmm.. pra ser sincero, essa calça te engorda uns dez quilos." A Marcela era bem magra, e ficava magra mesmo dez quilos mais gorda. Juro que a última coisa que pensei quando disse aquilo foi que eu provocaria tamanho estrago.

"Gorda?? Então eu sou gorda???"

"Não foi isso que eu falei, Má..."

"Eu não vou mais sair de casa. E também vou ficar uns bons dias sem comer nada. Quem sabe assim eu fico magra o suficiente pra você, né!"

"Eu não falei que você tá gorda! Eu disse que a calça de sessenta anos de idade que você resolveu usar não é a mais indicada para uma pessoa como você."

"Uma pessoa como eu é uma pessoa gorda. Foi isso que você disse."

"Não foi nada disso, Marcela. Decide se você vai com essa calça ou com outra, que a gente já tá quase atrasado. O filme tem hora pra começar, lembra?" - Paciência, a virtude dos grandes.

"Eu não vou mais. Já falei. Se quiser ir, vai sozinho. Ou chama alguma amiguinha magra que você tenha..."

"Tchau, Marcela."

Levantei e fui embora. Não fui no cinema com nenhuma amiguinha magra que eu tinha, a Marcela sabia disso. Fui pra minha casa, passar nervoso sozinho e ver que até a Marcela, tão única como era, era também uma mulher, com todas as características mais próprias de todas as mulheres.

Cheguei em casa, me joguei no sofá, e antes que eu conseguisse achar o controle remoto o telefone tocou.

"Alô."

"Oi, é a Má."

"Fala..."

"Hã... vem pra cá... vamos ver algum filme na tv."

E eu fui.



Tyler Bazz